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Dia do Professor: o amor pela educação ajudou Cláudia a aceitar a esclerose múltipla e vencer um câncer de mama

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Professora da Faculdade Anhanguera relata sua trajetória e como superou desafios

A gaúcha Cláudia Simone de Freitas Munhoz, de 49 anos, nascida em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, é exemplo de força e superação. Pessoa com deficiência após crise de esclerose múltipla desde 2014, ela também venceu um câncer de mama e segue firme na missão de ensinar e inspirar seus alunos.

“Desde pequena a minha curiosidade era extrema sobre as origens da vida, do planeta, das religiões, entre outras novidades que tinha acesso a partir da escola. Resultado? Fui cursar bacharelado em História, escavar o passado”, relembra.

Ela conta que quando ingressou na graduação, sua intenção não era lecionar e, sim, ser pesquisadora de documentos antigos ou fazer pós-graduação em arqueologia histórica. “Concluí o bacharelado, cursei uma pós-graduação, e segui para o Mestrado em 2001, ano em que meu pai nos deixou. Nessa época, minha perspectiva sobre a profissão havia mudado, passei a sentir vontade de ensinar. Acredito até hoje que se aprende ensinando e se ensina aprendendo, como já disse nosso patrono Paulo Freire”, diz.

Desde 2008 ela leciona na Faculdade Anhanguera, em São Paulo, capital, instituição que a acolheu profissionalmente e nos momentos mais difíceis que passou desde que mudou para São Paulo, em 2006. Cláudia orienta projetos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso, além de integrar parte do colegiado da Pedagogia, com disciplinas ligadas à História.

“Os benefícios institucionais permitiram que eu continuasse aprimorando meus conhecimentos, graduei em Pedagogia e atualmente estou me aprofundando na área do Serviço Social, cursando o sétimo semestre com previsão de conclusão no ano de 2022 e apresentar trabalho de conclusão de curso na temática serviço social na Educação.”

ESCLEROSE MÚLTIPLA

Cláudia recebeu o diagnóstico de Esclerose Múltipla (EM) veio em 2014. A doença acomete jovens na faixa etária entre 20 e 40 anos, a maioria mulheres, desencadeada por fatores genéticos ou de risco, como infecções virais (por herpesvírus ou retrovírus), níveis baixos de vitamina D por pouca exposição ao sol, exposição a solventes orgânicos, tabagismo e obesidade.

Estima-se que 40 mil pessoas no Brasil convivam com a esclerose múltipla, uma doença degenerativa e autoimune que atinge o cérebro, os nervos ópticos e a medula espinhal. O sistema imunológico do portador da doença ataca a camada protetora que envolve os neurônios, chamada mielina, e atrapalha o envio dos comandos do cérebro para o resto do corpo.

“Foi um susto por vários motivos, principalmente por desconhecer do que se tratava, com medo de perder os movimentos das pernas. Mais assustador era pensar em sequelas no meu raciocínio e na consciência e percepção da realidade, consequências que podem impedir a continuidade na docência”, diz.

Não há cura para a esclerose múltipla, mas existe tratamento, que é indicado pelo médico caso a caso, dependendo da progressividade da doença. Corticoides, medicamentos, fisioterapia e exercícios físicos são aliados no controle dos sintomas.

Para vencer a batalha, Cláudia teve apoio de familiares, amigos e colegas da Anhanguera. “Médicos e profissionais da saúde me orientaram na recuperação da saúde física e psicológica, dos movimentos, da fala e da autoconfiança. As orientações foram consideradas juntamente às medicações específicas para EM, dessa forma, retomei gradualmente às atividades docentes”.

Assim, gradualmente, ela diz que passou a aceitar que essas deficiências não definem quem ela é. “A partir de 2015, entrei num processo de autoconhecimento tentando entender as razões de ter diagnóstico de uma moléstia. As atividades psicopedagógicas – jogos, estudo de línguas estrangeiras, técnicas mnemónicas, os exercícios físicos e de estímulo cognitivos, assim como a busca pelo autoconhecimento, se mantêm na minha rotina. Mais recentemente passei a praticar Iyengar Yoga, modalidade da yoga que auxilia no despertar da consciência corporal”.

CÂNCER DE MAMA

“Quando achei que tinha aprendido a lidar com meu maior desafio e equilibrado os campos pessoal e profissional, encontrei um novo desafio maior que o anterior. O resultado da biópsia de um nódulo conhecido e acompanhado por 10 anos, mostrou que era um câncer e que teria que aprender novos caminhos.

Inicialmente, Cláudia ficou muito revoltada. “Por que, eu? Não bastava a EM na minha vida, silenciosa e exigente pautando minhas atividades e exigindo cuidados pessoais constantes? As fases protocolares para o combate ao tipo de câncer na qual fui acometida causarem reações físicas e emocionais diferentes. A batalha foi mais dura, cheguei a pensar em abandonar o tratamento. Tinha sensações de tristeza, raiva, agonia tudo ao mesmo. A sensação da finitude foi a mais interessante, porque percebi que tinha ainda muito o que fazer por aqui. Percebi que devia continuar trabalhando, planejando aulas, lecionando, fazendo avaliações, enfim, desenvolver as atividades que me permitiam sentir que estava viva”.

A mãe de Cláudia, suas irmãs, sobrinha e companheira de vida foram o suporte emocional para seguir em frente. “Com o apoio dos alunos do curso de Pedagogia, colegas professores e gestores da Anhanguera continuei lecionando, sem eles não teria conseguido trabalhar e fazer os tratamentos: quimioterapias, cirurgia, radioterapia etc. Muitas pessoas me acolheram, algumas até então, pouco conhecia, ou nunca tinha visto. Conheci o sentido da solidariedade e principalmente a de ser grata em recebê-la. Creio que esse talvez seja um dos ensinamentos que faltava no meu currículo.”

MOTIVAÇÃO

Cláudia diz que seus alunos a desafiam todos os dias, “porque eles representam o início e o fim de um ciclo; o conhecido e o desconhecido nas interações humanas, o medo do não saber e a conquista do aprender”.

Ela tem como sonho para os próximos anos elaborar projetos para emancipar pessoas nos aspectos identitário e socioeconômico, e dá um conselho para quem, como ela, possa estar passando ou já enfrentou duras batalhas. “Não se leve tão a sério; procure o autoconhecimento; tome água, movimente seu corpo e sua mente; agradeça sempre e faça os exames importantes regularmente. Meu maior medo é envelhecer internamente e perder a alegria de viver.”

DIA DO PROFESSOR

Neste Dia do Professor, Cláudia deixa um recado a outros mestres, parafraseando Paulo Freire, o patrono da Educação no Brasil, que completaria 100 anos em 2021 se estivesse vivo.

“[…] A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.”

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