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Mãe fala em ‘dor eterna’ após prisão de homem que matou seu filho por causa de boato no litoral de SP

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Vítima tinha apenas 28 anos quando foi morta a socos, pauladas e pedrada em Itanhaém, litoral paulista. Nesta semana, a vítima completaria 34 anos.

A mãe do rapaz que foi linchado e morto por um grupo de pessoas que afirmou o confundir com um estuprador em Itanhaém, no litoral paulista, ainda espera por justiça. Seis anos após o crime, ela contou, em entrevista ao G1 nesta segunda-feira (21), que Junior Flávio Alves de Alcântara, de 28 anos, sonhava em ser promotor de Justiça.

O crime ocorreu em 2015 e um dos indiciados pela morte do rapaz, foi preso novamente na última sexta-feira (18). A vítima do linchamento, que foi agredida com socos, pauladas e pedrada, morreu um dia após as agressões. A professora Joelma Alves, de 52 anos, relata que o filho era uma pessoa muito correta e sempre foi motivo de orgulho para a família.

Apesar da polícia acreditar que o rapaz tinha problema psiquiátrico, a mãe relata que o filho não tinha diagnóstico de depressão ou qualquer outro problema psicológico e que ele era novo na cidade, então estava em período de adaptação. Ele morava com uma amiga em Itanhaém.

“Ele não conhecia nada na cidade. O que eu soube é que ele saiu naquele dia para dar uma volta, por isso estava sem documentos. Uma testemunha me informou que ele não estava nu. Que estava bem vestido, caminhando normalmente naquele dia, e que do nada escutou gritos. E que, na verdade, tiraram a roupa dele após ele ser linchado”, diz.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

De acordo com a mãe, ela soube que um rapaz que viu o jovem gritando, depois de encontrá-lo ferido, tentou ajudar e colocou uma camisa em Junior. “Fizeram justiça com as próprias mãos e mataram um inocente. Foi um boato de estuprador naquela região, porque a polícia não tinha relato de nenhuma vítima. Ele foi abordado por um grupo e muitos tentaram se safar”, diz.

A Polícia Civil confirmou ao G1 que foi comprovado pelas investigações que a vítima não tinha nenhum envolvimento com crime de estupro. Segundo a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itanhaém, o rapaz foi agredido mutuamente por ter sido confundido com um estuprador. Conforme explica a polícia, nos autos, aponta-se que ocorreu espancamento coletivo e que tudo indica que ele teria sido apontado, erroneamente, como criminoso, já que naquele ano boatos sobre um suposto estuprador circularam entre moradores da cidade semanas antes do homicídio. Porém, a informação de que alguém estava cometendo crimes sexuais foi desmentida pela polícia.

Ainda segundo a polícia, na época, foram iniciadas as investigações, que conseguiram identificar os responsáveis por provocarem as lesões na vítima. Dois homens foram presos pelos policiais por homicídio qualificado, após ficar comprovado que ambos causaram a morte do rapaz, com uma pedrada e pauladas. Eles foram presos preventivamente e, tempos depois, foi concedida liberdade provisória aos dois. Contudo, os dois homens cometeram novos delitos, por isso, o Ministério Público (MP) solicitou novamente a prisão preventiva dos suspeitos.

“Ele era um rapaz cristão, não tinha vícios, nunca me deu trabalho com nada. Tinha um coração enorme e era cheio de sonhos e projetos. Ele era muito inteligente e tinha muita vontade de escrever um livro e se tornar promotor de Justiça. Ele era brincalhão, uma pessoa de grande caráter, a alegria da casa e sempre levava amor para as pessoas. Depois que ele morreu toda minha família entristeceu. Morreu inocente, por conta de um boato que inventaram ali”, desabafa a mãe.

Um deles já havia sido preso pelo crime de tráfico de drogas. O outro, de 26 anos, estava em liberdade provisória, quando cometeu um furto e teve a prisão preventiva decretada na última quinta-feira (17). Na sexta-feira, os investigadores conseguiram localizar e capturar o suspeito.

“Testemunhas me relataram que enquanto o batiam falavam “você é um estuprador”, e por mais que ele falasse que não era, que estavam batendo na pessoa errada, os agressores não tiveram misericórdia. Não deixaram ele nem se defender”, afirma a mãe.

Atualmente morando em Portugal, a mãe afirma estar inconformada com a demora para julgamento dos indiciados e que espera por justiça após o ocorrido. “Não tem coisa pior do que saber que seu filho foi morto inocente. Arrebentaram meu filho na época e ainda doamos os órgãos dele, que salvou a vida de sete pessoas. Nada vai trazer ele de volta, mas a justiça ameniza o que sentimos. A dor permanece até hoje, é eterna, algo que não sai do coração. Nesta semana ele completaria 34 anos, poderia estar com família constituída. Então a única coisa que clamo é por justiça”, finaliza.

fonte: G1

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