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Homem paraplégico tenta cirurgia há um ano após perna descolar do quadril: ‘Eu não vivi, sobrevivi’

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Paraplégico há 8 anos, rapaz descobriu o descolamento em 2020, mas, por conta da pandemia, as cirurgias foram suspensas na época. Desde então, ele tenta agendar procedimento.

Um homem de 30 anos está há mais de um ano tentando conseguir uma cirurgia, após sua perna direita se descolar do quadril, em Bertioga, no litoral paulista. O rapaz é paraplégico há oito anos, mas desde 2020 convive com intensas dores por conta do descolamento, além de tratar cinco úlceras de pressão, desenvolvidas no período em que passa deitado.

De acordo com o técnico de celulares Adson Santos Costa, em 2013, ele estava em uma quermesse de sua cidade quando entrou em uma discussão e foi baleado três vezes por um homem – na mão, no braço e nas costas.

Ele foi internado no Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, onde apenas a bala das costas não foi retirada, por se tratar de um procedimento perigoso. Após o incidente, ele saiu do hospital paraplégico, necessitando do auxílio de uma cadeira de rodas para se locomover.

Os médicos esclareceram ao rapaz que, no caso dele, ocorreu uma lesão incompleta, quando as funções motora e sensitiva são preservadas. Desta forma, ele não consegue andar, mas ainda pode sentir as pernas, existindo até mesmo a possibilidade de um dia ele voltar a andar, mas com dificuldades.

Apesar da condição, Adson não se deixou abalar e continuou trabalhando. “Eu vivia minha vida bem como cadeirante. Era feliz. O problema foi no ano de 2020”, conta. Segundo ele, em janeiro do último ano, precisou ser internado, com vômitos, fraqueza, diarreia, desidratação e pressão baixa.

O hospital diagnosticou uma infecção generalizada, provavelmente causada por duas úlceras de pressão (feridas na pele por permanecer muito tempo na mesma posição) na perna direita. Ele ficou 38 dias na unidade, onde desenvolveu mais três feridas, por conta do período deitado.

Diagnóstico

Costa recebeu alta da internação em fevereiro, e desde então trata as feridas semanalmente com gases, pomadas e luvas disponibilizadas pelo município. Porém, após esse episódio, ele começou a sentir intensas dores na perna direita.

Ao passar em uma consulta em uma clínica particular, um raio-X revelou que a perna dele havia se descolado do quadril. Ele chegou a receber o diagnóstico, também, pela rede pública de saúde, mas os médicos ainda estudam o que pode ter causado o problema.

O rapaz explica que, na época em que o problema foi constatado, no fim de fevereiro, a pandemia estava chegando ao país, e um médico da rede municipal esclareceu que ele não poderia realizar a cirurgia, pois os procedimentos estavam suspensos.

Desde então, Adson tenta conseguir a cirurgia, mas sem sucesso. Ele relata que vai ao hospital diversas vezes por conta das dores, mas os médicos receitam uma injeção e o liberam para voltar para casa. Por conta das dores, ele não consegue passar muito tempo sentado, e precisou parar de trabalhar.

De acordo com o técnico, ele possui duas filhas, de 11 e 9 anos, e um filho de 9, mas não consegue mais viver normalmente para poder sair com eles e realizar as atividades do dia a dia.

“Esse é o mais difícil, isso é o que mais dói. O ano de 2020 eu não vivi, eu sobrevivi. Não consegui fazer nada, fiquei praticamente vegetando em cima de uma cama. Hoje, eu estou da mesma forma, mas com um pouco mais de conforto”, conta.

Divulgação

Conforme relatado pelo morador de Bertioga ao G1, além das feridas na pele, ele ainda está enfrentando uma depressão, e faz acompanhamento psicológico para lidar com o sentimento de não conseguir o tratamento. Ele conta com a ajuda de algumas pessoas para divulgar o caso dele nas redes sociais, recebendo algumas doações financeiras para dar entrada em uma cirurgia na rede particular, mas ainda não conseguiu a quantia necessária.

O jovem criou uma página no Instagram, onde expõe sua situação e pede ajuda aos que se comoverem com o caso, seja financeira ou para conseguir o procedimento pelo SUS.

Mesmo com as dificuldades, Costa, que mora em uma casa com a mãe e as filhas, tenta resgatar sua esperança na vida dia após dia.

“Hoje, na verdade, eu sou feliz, porque, querendo ou não, tem coisas que vêm para o mal e coisas que vêm para o bem, mas a cadeira de rodas me ensinou muita coisa, me transformou em uma pessoa melhor, me ensinou a dar mais valor às coisas”, conclui.

Resposta

Em nota, o INTS, responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, informa que o paciente é atendido por equipe multidisciplinar na unidade desde 2019, tendo recebido cuidados hospitalares sempre que necessário, com todos os exames e prescrições médicas devidas, bem como encaminhamento para ambulatório de especialidades e para a continuidade da assistência pelo programa ‘Melhor em Casa’. Ainda conforme o INTS, no dia 4 de abril deste ano, o paciente esteve na unidade e realizou os exames necessários, sem indicação para internação hospitalar e com orientação para acompanhamento ambulatorial.

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A Secretaria de Saúde informa que o paciente foi reconvocado para avaliação com especialista ortopedista. A consulta está agendada para quarta-feira (16), às 10h30. A pasta afirma que está tentando contato via telefone para avisar o munícipe.

fonte: g1

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