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Pai diz que ainda liga no celular do filho dois anos após acidente de ônibus que matou 10 em SP

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Em 2019, um ônibus de turismo tombou e atingiu outros cinco carros na rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123). Dez pessoas morreram e 51 pessoas ficaram feridas

“Até hoje ligo no celular dele e me dá a impressão que ele vai atender”, desabafa o pai de Yago Mange, de 25 anos, que morreu no tombamento de um ônibus de turismo que saiu da Baixada Santista, no litoral paulista, para Campos do Jordão (SP) há dois anosYago foi um dos dez mortos do acidente, que também deixou 51 pessoas feridas.

acidente aconteceu no dia 9 junho de 2019, no km 31,6 da rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), no trecho de serra em Pindamonhangaba, na pista sentido São Paulo. O ônibus de turismo tombou, devido ao superaquecimento dos freios, e atingiu cinco carros. De acordo com testemunhas, o coletivo ficou desgovernado após ficar sem freio.

Yago Manges morava em Cubatão (SP) e viajou com a namorada, Camilla Rodrigues, de 23 anos, para celebrar o Dia dos Namorados em Campos do Jordão. Eles estavam no ônibus e morreram no local do acidente. Os corpos dos namorados foram os primeiros a serem identificados no Instituto Médico Legal (IML).

Amarildo Manges, pai de Yago, diz que soube pelas redes sociais que havia acontecido um acidente e, como nenhum dos dois atendia ao telefone, dirigiu até a cidade do interior paulista com o pai de Camilla. “Rodamos todos os hospitais da cidade e das cidades no entorno. Foram 600 quilômetros atrás deles”, recorda.

Em um posto de gasolina de São José dos Campos (SP), por volta das 6h do dia seguinte ao acidente, Amarildo recebeu as primeiras informações sobre óbitos no tombamento do ônibus.

“Eu fazia as contas e pensava que não era possível os dois, de 30 passageiros, estarem entre os dez mortos. Corremos para o IML por conta própria. Foi lá que os encontramos”, disse, emocionado.

Dois anos depois

“As famílias lutam com as forças que elas têm”, diz Amarildo. Ele conta que mantém contato com os outros familiares, que prestam apoio uns aos outros. No entanto, ele garante que a dor ainda é forte e que adquiriu trauma de ônibus, assim como a irmã de Yago. “Dá um pânico”.

“No Natal, aniversário, Ano Novo, passa um filme na cabeça de como poderia ser. Não comemoramos mais as datas por aqui. Perdeu a graça. Até hoje eu ligo no celular dele, dá impressão que ele vai atender. A falta que ele faz, a gente tenta minimizar. Mas, a vida da gente é essa mesma, um sopro”.

O pai de Camilla, Marcos Roberto Silva, diz que todo dia lembra da dor da perda da filha. “A gente não consegue esquecer. O ciclo natural da vida é que os filhos enterrem os pais. Quando isso não acontece, faz com que fique um vazio no peito”, diz.

Ele diz que está aprendendo a conviver com a falta de Camilla. “Estamos juntos todos os dias e daqui a pouco perdemos tudo isso. O pior é que a dor é para sempre”.

Nesta quarta-feira (9), uma missa será realizada na Igreja Católica São Francisco de Assis, na Vila Nova em Cubatão, às 15h, em homenagem às vítimas do acidente.

fonte: G1

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