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Casos de sarna humana se espalham em Praia Grande e afetam bairros ricos e pobres da cidade

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Um bebê de seis meses precisou ser internado devido a infecção nas feridas e menino de 4 anos não consegue andar por machucados nos pés na comunidade Nova Mirim em Praia Grande, no litoral paulista

Um bebê de apenas seis meses passou uma semana internado por uma infecção derivada da escabiose, conhecida como sarna humana. Enquanto isso, um menino de quatro anos não consegue andar por conta das dores das feridas nas solas dos pés pela mesma doença. Eles vivem em uma comunidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo, que tem sofrido com surtos de reinfecção da doença há meses.

A escabiose é causada por um ácaro que gera bolhas que, quando coçadas, se tornam feridas na pele. Ela é transmitida facilmente pelo contato entre as pessoas e deve ser tratada com remédios, loções e sabonetes, aos quais os moradores da comunidade Nova Mirim apontam não terem acesso pelo serviço público. Uma especialista ouvida pelo G1 alerta cuidados para sucesso na recuperação (leia mais abaixo).

O surto da doença na região da comunidade ganhou repercussão nas redes sociais devido à divulgação da voluntária Patrícia Ogna Patrali. Ela pede ajuda do poder público para conseguir atendimento e medicamentos adequados aos moradores, que reclamam da falta nos postos de saúde da cidade.

Das cerca de 40 famílias que vivem na comunidade, todas já relataram casos em pelo menos uma pessoa da moradia. Sem acesso ao tratamento adequado, eles reclamam que o número de infectados sobe, enquanto os curados acabam pegando os ácaros novamente. Foi neste ciclo que Breno, de apenas quatro anos, pegou escabiose cinco vezes em dois meses.

A afirmação é da mãe dele, Thainá de Lima Safa, de 26 anos. Ela conta que o menino é um dos que estão em pior situação de toda a comunidade. Com feridas por todo o corpo, incluindo couro cabeludo e solas dos pés, ele não consegue andar e chora durante toda a madrugada, com coceira e fortes dores.

Além de Breno, outro caso que chama a atenção na comunidade é a pequena Estela, de apenas seis meses. Ela chegou a ser internada por uma semana devido às infecções causada pela escabiose. Após a alta, ela voltou para casa e, em alguns dias, as feridas reapareceram.

“Ela não está dormindo, chora a noite inteira. Começou com brotoejas, depois bolhas e, das bolhas, machucados”, diz. “De tanto coçar, a mãozinha dela está em carne viva. Cheguei a pensar que ela pudesse perder a mão, estava fedendo”, relata a mãe de Estela.

O bebê segue sendo tratado com remédios e loções que a mãe conseguiu no posto de saúde da região e, também, com a voluntária Patrícia. Além de Estela, as três pessoas que vivem na residência também estão com sarna humana.

Outras regiões

Apesar do drama vivido pelos moradores da Nova Mirim, moradores de outros bairros também têm registrado casos de escabiose. A voluntária Patrícia aponta que há surtos também nas comunidades Vila Sônia, Curva do S e Ribeirópolis, na região mais pobre do município.

A região nobre não foge à regra. A atendente de caixa Daniela Ribeiro, de 40 anos, é moradora do bairro Jardim Real e conta que ficou sete meses tratando a doença, com as últimas feridas saradas em fevereiro deste ano.

“Não cheguei a ir ao médico, tratei com sabonete para sarna e loção. Foram sete meses com coceira ardida e irritante”, diz. Na casa dela, ela e o namorado tiveram escabiose até fevereiro, quando as feridas sararam de vez. “Era difícil não coçar, difícil se controlar. É um alívio não ter mais. Era bem desconfortável, as pessoas percebem que você está coçando”.Um morador da Vila Tupi, de 35 anos, que preferiu não se identificar, teve sarna humana entre os meses de março e abril deste ano. “Começou com uma coceira nas pernas e vai intensificando, ficando mais ardida. Até então achei que fosse alguma alergia de pele. Das pernas foi pra barriga e ficou cada vez mais ardido”, conta.

Para o tratamento, ele precisou administrar pomadas, loções, antibióticos e trocas constantes de roupas de cama. “Roupas usadas precisam imediatamente ir para a máquina e depois fervidas”, diz.

Surto de escabiose

A dermatologista Helena Engelbrecht Zantut explicou ao G1 que o agente causador da escabiose é o ácaro Sarcoptes scabiei, só transmitido entre humanos. As consequências são coceiras na pele, com horários de piora. “Geralmente [a piora acontece] à noite, quando o sarcoptes sai para depositar ovos na pele”, diz.

Nas feridas, também há o risco de infecções secundárias, causadas por bactérias. A escabiose é causada pelo contato direto da pele de uma pessoa para outra. “Em ambientes com muitas pessoas, é mais fácil de passar para outro. Também é assim em casas de repouso e cadeias”, explica.

A sarna pode ser tratada com o antifúngico ivermectina. “Mas todos que moram na mesma casa têm que tomar a medicação juntos, no mesmo dia”, diz. “Eu acho que estamos nesse surto de sarna desde o começo do ano. Todos os dias atendo três ou quatro casos de escabiose”, conta.

Sem controle

Em nota enviada ao G1, a Secretaria de Saúde Pública de Praia Grande informa que escabiose não é uma doença de notificação compulsória e que, por isso, não há dados sobre o número de casos. Desde que tomou conhecimento dos casos em alguns locais específicos, a Sesap afirma que disponibilizou uma equipe de Saúde da Família que está indo até essas comunidades e orientando as pessoas em relação ao tratamento.

A administração afirma que também está ofertando os serviços e medicamentos disponíveis na rede pública e orientando em relação aos cuidados e higiene pessoais e do lar. Além disso, uma equipe da Saúde Ambiental está indo aos locais para verificar possível infestação nos animais.

“A escabiose ocorre principalmente em comunidades fechadas e grupos familiares. A notificação do número de casos não é necessária pois não causa epidemias ou surtos de grandes proporções. O tratamento é simples e depende em especial de higienização de roupas comuns e ambiente”, finaliza a prefeitura.

Com informações do G1

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