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‘Órfãos da pandemia’: Covid-19 tirou o dia das mães de crianças e bebês do litoral de SP

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Parentes contam como é criar crianças e bebês ‘órfãos de mãe’ devido à doença, e como enfrentarão esse Dia das Mães

O Dia das Mães é comemorado neste domingo (9), contudo, com a pandemia, muitas crianças e bebês perderam suas mães, e hoje, junto com as famílias, vivem a data sem elas. O G1 conversou com familiares de ‘órfãos de mãe’ devido à Covid-19, que relatam quem foram essas mulheres, os desafios de criar os filhos sem o apoio da genitora e como lidam com a dor de perdê-las.

A dor do luto ainda vivida por Alessandro da Conceição Ferreira, de 27 anos, se torna ainda maior neste domingo, data em que relembra todos os sonhos da falecida namorada, uma das vítimas da doença. Giulia Mara Santos de Oliveira, de 24 anos, morreu por complicações da Covid-19 um dia depois de a filha ter alta, após um parto de emergência.

“Hoje estou angustiado e o meu peito dói muito. Eu sinto muita falta dela”, diz ele sobre a namorada. Alessandro, que agora é pai solo, acrescenta que a filha lhe dá mais forças de seguir em frente.

O jovem relata que a filha é tudo o que a companheira sempre sonhou, e que tem os olhos iguais aos da mãe. “Ela não conseguiu descansar enquanto eu não levei nossa filha embora. Naquele dia, o médico foi examinar nossa filha e disse que ela poderia ter uma possível alta, e eu percebi na hora que aquelas palavras não eram as que a nossa filha queria ouvir, porque ela queria ir embora do hospital com a mãe junto dela”, afirma.

Hoje, os cuidados com a filha sempre o lembram de Giulia, que sonhou muito com a chegada da menina. “Eu vou ser mais que um pai para ela, vou ser a mãe dela”, prometeu em uma postagem de desabafo nas redes sociais. “Eu não irei esquecer da Giulia por nem um minuto, e todo dia ela será lembrada. Eu irei contar tudo para a nossa filha, e falar para ela que a mulher e mãe mais perfeita que existe no mundo era a dela”, acrescentou.

Saudade de quatro filhos

O desafio de se virar sem a mãe de bebês que a perderam para a Covid-19 é dobrado para a família de Nathanny Ribeiro da Silva. Após um mês internada, a jovem de 28 anos morreu por complicações da doença, sem poder conhecer as filhas gêmeas.

A irmã, que prefere não se identificar, relata que as meninas, agora, estão sendo criadas pela avó materna, de 50 anos. “Eu também ajudo, apesar de não morar na casa dela, vou lá todos os dias”, explica. Conforme relata, as irmãs estão sendo alimentadas com leite de fórmula infantil, já que não há o leito materno.

“É bem difícil criá-las sem a mãe, e é um pouco confuso, porque foi algo que a gente não esperava, que aconteceu de repente. Mas também temos filhos pequenos, e aos poucos estamos dando conta. O amor ajuda muito nesse momento”, afirma.

Além das gêmeas, Nathanny deixou uma filha de 7 anos e um filho de 6. “Ambos estão sendo criados pelo pai. No primeiro dia da morte da minha irmã, eles choraram muito, minha sobrinha principalmente, que sempre mantém a esperança de que a mãe ‘vai descer do céu'”, relata a irmã. De acordo com ela, neste Dia das Mães, a família sente um “mix” de emoções, porque Nathanny era uma mãe bastante protetora e faz falta para os filhos e à família.

‘Dia difícil’

Fabiana da Conceição Xavier, de 41 anos, lutou contra a Covid-19, mas não resistiu. Hoje, os filhos, uma menina de 8 anos e um menino de 16, passam a data apenas com o pai. Os primeiros sintomas da doença apareceram no dia 4 de abril, ela foi internada no dia 9 para tratamento, mas, no dia 16 do mesmo mês, ela morreu por complicações do coronavírus.

“Ela e os filhos tinham um relação muito boa, não só como mãe e filho, mas como amigos, também. Ela era considerada uma super mãe”, relata o promotor de vendas Clodoaldo Sousa dos Santos, de 41 anos, marido da vítima, que agora cria os filhos sozinho.

“Estar sem ela vem sendo desafiador em todos os sentidos, porque ela era o pilar da família, e sempre fez de tudo pelos filhos e por mim. Hoje, é um dia muito difícil para todos nós, sentimos ainda mais a dor nesta data”, desabafa.

Com informações do G1

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