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Homem conhece o rosto da mãe pela 1ª vez aos 71 anos ao receber documento antigo

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Mãe dele faleceu aos 44 anos, em 1953, quando ele tinha apenas 3 anos. Família não tinha nenhum outro retrato da mulher.

Um morador de Santos, no litoral de São Paulo, conheceu o rosto da mãe aos 71 anos, ao receber um documento antigo recuperado por uma das irmãs. Ele, que nasceu em Sobral (CE), conta que não existe nenhuma outra foto da mulher.

Francisca Amélia de Almeida morreu em 1953, vítima de um câncer de útero, e deixou oito filhos. Benedito Furtado, o mais novo deles, tinha apenas 3 anos na época, mas conta que não pôde sequer aproveitar esse tempo com ela.

Conforme conta, na época, a família acreditava que câncer era contagioso. Para evitar que o filho ficasse doente, a mulher preferiu que ele fosse criado longe dela.

Ao G1, Furtado, que hoje atua como vereador em Santos, contou que, ao longo das décadas, a falta de uma imagem da mãe só fez aumentar a dor da perda. “Hoje, posso dizer que sinto muito mais falta dela do que quando eu era adolescente”, diz.

“Sempre senti a falta da minha mãe. A vida inteira tive um buraco muito grande, amava alguém que não sabia como era o rosto. Sempre procurei uma imagem da minha mãe. Tinha um apego por algo que eu não conhecia”, desabafa.

A dor e a “saudade sem rosto”, como ele chama, foi tema de uma série de poemas e crônicas ao longo das décadas, escritas por ele. Em um dos poemas, chamado ‘Francisca Amélia’, Furtado cita a falta da imagem da mãe. “Nada lembro de quando fui feto, de quando fui filho/Filho amado, de mãe presente/Noite de lembranças, esta/Noite de saudades de um amor que não tenho sequer a imagem”.
Em outro poema, chamado ‘Minhas Mães’, Furtado narra o carinho que guarda por uma tia e também pela mãe biológica, apesar de nunca tê-la visto, e as saudades causadas pela morte precoce da mulher. “Que na infância me levou tudo/Levou, inclusive, sua imagem/Verdade, eu não a tenho/Tenho apenas a saudade do abstrato/Do que não lembro, do desejo de ter”, diz um trecho.

Documento antigo

A entrega do documento aconteceu de forma inesperada. Ele foi chamado por uma de suas irmãs mais velhas para um café, e no meio do encontro, ela disse que tinha algo para entregar a ele. Então, surgiu com o documento de registro, já desgastado pelo tempo, com uma pequena foto de Francisca.
Ele conta que ficou muito emocionado com o presente e que, inclusive, enviou a foto digitalizada para outros parentes da mãe, que também não tinham nenhuma lembrança dela. Agora, seu objetivo é restaurar a pequena foto, para ter a imagem completa e guardá-la de recordação.

“Imagina, você procurar durante décadas alguma imagem, algum semblante, face, rosto… E de repente a minha irmã me entrega aquilo. Não tem jeito, a emoção é algo inacreditável”, conclui.

FONTE: g1

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