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Mulher perde 26 kg ao esperar por cirurgia para câncer no estômago no litoral de SP

Destaque Saúde

Após meses tentando realizar exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela obteve ajuda da família, que pagou pelos exames em uma rede particular, onde descobriu o câncer

Uma moradora de São Vicente, no litoral paulista, perdeu 26 kg após descobrir um câncer no estômago. Há três meses, ela sofre com fortes dores, sem conseguir se alimentar, e aguarda por uma vaga na rede pública para conseguir realizar uma cirurgia. O estado afirma que ela será orientada quanto à programação do procedimento.

Roselene Medeiros de Sousa, de 51 anos, trabalhava como cuidadora de idosos. Em entrevista ao G1 nesta segunda-feira (3), ela relatou que, em setembro de 2020, começou a passar mal, sentindo tontura e dores no estômago. Após meses tentando realizar exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela obteve ajuda da família, que pagou pelos exames em um hospital da rede particular.

A unidade de saúde privada realizou duas endoscopias e uma colonoscopia, todas com biópsia, e descobriu que Roselene está com um câncer no estômago. Devido aos sintomas, ela precisou parar de trabalhar e não conseguiu continuar pagando aluguel, por isso, teve de ir morar com os pais em Iguape, no litoral de São Paulo.

Andressa afirma que os hospitais de Iguape não são referência para tratamento de câncer no estômago, por isso, a família aguarda vaga em um hospital de Pariquera-Açu, no interior de São Paulo. Porém, conforme a jovem, os médicos relataram à família que, no momento, o local não possui leitos disponíveis para internar e operar a paciente, pois as vagas da unidade foram reduzidas para as cirurgias, e passaram a ser direcionadas a pacientes com Covid-19.

Conforme relata a familiar, a mãe não consegue comer e precisa tomar morfina de 6 em 6 horas, por conta das fortes dores. Por não conseguir se alimentar, em quatro meses, a cuidadora perdeu 26 kg.

“É uma espera enorme, me sinto frustrada vendo o jeito que ela está. Vejo ela chorando porque tinha uma vida, e agora não tem mais. Me sinto inválida de não poder fazer nada, mas ajudo com o que está ao meu alcance. Estamos muito decepcionados com a falta de vaga”, diz Andressa.Sem condições de trabalhar, a cuidadora de idosos segue morando com os pais e aguardando a cirurgia, para seguir com os tratamentos oncológicos.

“Eu tenho me sentido um ‘nada’, porque vejo como eu era antes, trabalhava 24 horas por dia, e hoje em dia me vejo assim, debilitada, sem poder fazer nada. Eu cuidava de outras pessoas, e hoje em dia não posso nem cuidar de mim. Me olho e nem me reconheço no espelho”, desabafa Roselene.

Contudo, apesar das fortes dores e demora da cirurgia, Roselene segue acreditando na recuperação, para que possa retomar sua vida. “Quero passar logo por essa etapa, porque tenho fé na minha recuperação, mas preciso desse tratamento, preciso dessa vaga”, conclui.

Estado

Em nota, Secretaria de Estado da Saúde negou que não haja vagas, e informou que a paciente será comunicada sobre a cirurgia. Confira na íntegra:

“Não procede a informação de que ‘não existem vagas’. A Sra. Roselene Medeiros de Sousa está em acompanhamento especializado no Hospital Regional de Pariquera-Açu e está ciente sobre o tratamento. Ela será orientada quanto à programação da cirurgia.

A unidade é referência em oncologia clínica e cirúrgica. Somente no primeiro trimestre de 2021, já foram realizadas 122 cirurgias oncológicas e 1.309 atendimentos ambulatoriais para estes casos. Durante a pandemia, o hospital reforçou todos os cuidados com os pacientes, que continuam recebendo atendimento conforme a necessidade de cada um.

A unidade permanece à disposição da paciente para orientações complementares”.

Com informações do G1

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